36 Vistas do Cristo Redentor por Ilustrador
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36 Vistas do Cristo Redentor

4 de abril de 2009

O livro 36 Vistas do Cristo Redentor, ilustrado por Renato Alarcão, está sendo impresso. Ele ficará pronto até o final do mês de abril. O seu lançamento está previsto para meados de maio de 2009. Os detalhes e convite para o lançamento serão divulgados neste espaço.

As pessoas que, gentilmente, enviaram fotos e ilustrações sobre o Cristo Redentor, receberão, conforme combinado, um exemplar da obra assinada pelo autor. Nós entraremos em contato com cada pessoa a partir de maio.

Palavras finais

4 de abril de 2009

36 Vistas do Cristo Redentor é um livro urbano e, em muitos momentos,
autobiográfico.

Nunca deixo de me admirar com a perspectiva aérea das montanhas do Rio,
a beleza da Baía de Guanabara (que meus olhos sempre conseguem imaginar
com 100 anos a menos), o sol a matizar essa paisagem de um modo diferente
a cada dia… Poder mergulhar nos mil zumbidos do Jardim Botânico e, num
relance encontrar o Cristo ali, espiando por entre as árvores, é a própria paz.
Encantam-me muito também as situações – principalmente as absurdas – e
os personagens desta cidade que cresce, não para de crescer.

O caminho que traço semanalmente da minha casa ao ateliê é constantemente
“observado” pela estátua do Cristo, fato que ajudou em muito na busca
pelas cenas, personagens e situações presentes aqui. De Niterói ao Jardim
Botânico, tive a companhia dele por toda parte.

Minha natural e inata preocupação com o meio ambiente é o texto subliminar
que acompanha algumas dessas vistas do Cristo. Acredito que fizemos
muita coisa em 150 anos. Hora de limpar.

Gosto muito também de contar e ouvir histórias, e sinto que foi principalmente
através deste processo que as ilustrações deste livro foram escolhidas.

Existem outras vistas? Sim, claro: as suas! Compartilhe-as com o mundo.

http://www.editoracasa21.com.br/36vistas

Falta pouco…

19 de janeiro de 2009

Casa de morador na Ladeira Tabajara

O projeto 36 Vistas do Cristo Redentor entra em sua fase final, e por isso venho aqui apresentar rapidamente um pouco do caminho percorrido até o presente momento.

“Circulando pela cidade, às vezes chego a imaginar que o Cristo Redentor sempre esteve ali. Como se as próprias pedras do Corcovado tivessem ao longo de milênios - e com ajuda de alguma mágica - confabulado entre si e, lentamente, se organizado para, juntas, formarem a estátua.” Para mim, falar do Cristo, retratá-lo sob diversos ângulos é também traçar um paralelo com a cidade que está sob o olhar da estátua, é, sobretudo, manter o olhar atento a esta paisagem urbana que é o cenário onde se manifesta de maneira multifacetada o famoso espírito dito carioca.

Desenhar o Cristo envolveu um longo tempo de pesquisa, no qual foram feitas diversas incursões na paisagem carioca em busca de ângulos e temas interessantes. Nestes passeios onde tive o Redentor como bússola foram produzidas perto de 2.000 fotografias, diversos vídeos de curta duração, esboços e aquarelas foram feitas nos locais visitados, enfim toda uma pesquisa que resultou em um material muito rico visualmente. Tive também a valiosa oportunidade de ir a locais e conhecer pessoas que, de outra forma, não conseguiria.

Este é um livro onde temos ilustrações cuja produção exigiu o uso de mais de 40 fotos referências, combinadas e sobrepostas em um processo semelhante àquele empregado pelo artista David Hockney em seus Composite Polaroids.

O resultado são imagens intrincadas e detalhistas, verdadeiras crônicas visuais da cidade, aquarelas, nas quais o Cristo Redentor ora é parte silenciosa do cenário, ora se apresenta como elemento preponderante. As ilustrações mostram não somente a complexidade de estruturas urbanas como favelas ou prédios, mas também o porto, cenários industriais e até cenas fantasiosas.

Museu de Arte Contemporânea - MAC de Niterói

Personagens (anônimos ou ilustres como o genial arquiteto Oscar Niemeyer) participam de alguns desenhos; noutros figuram mais de uma dúzia de caminhões, ou as centenas de lápides do Cemitério São João Batista, o trânsito caótico, a alegria do carnaval, os capoeiristas, ufa!!

Estrada de Ferro Leopoldina

Para escrever as legendas de algumas ilustrações do projeto 36 Vistas do Cristo Redentor convidei o jornalista Marcos Faria, cujo texto sensacional eu já conhecia desde o meu segundo grau (estamos falando dos tempos idos de 1985…), quando fazíamos uma dobradinha criativa nos artigos para o jornal do grêmio do colégio de São Bento. Poucos anos depois reeditamos aquela parceria dos tempos de moleque, desta vez na faculdade (eu fazendo design e ele comunicação), quando embarcamos num projeto de uma história em quadrinhos publicada pela ECO- Escola de Comunicação da UFRJ (um projeto capitaneado pelo Carlos Patati, autor do Almanaque dos Quadrinhos, e que na época era professor de uma disciplina eletiva de quadrinhos).

Continuei acompanhando o trabalho do Marcos Faria através do blog que ele edita, e sempre pensei na oportunidade de trazê-lo para participar de algum livro meu. A literatura do Marcos tem uma pitada de insólito, uma inteligência e um humor tão refinado que me arrisco a dizer que ele é um dos segredos mais bem guardados do nosso meio editorial. Que este 36 Vistas do Cristo Redentor seja o primeiro de muitos!

“Este livro traz um Cristo que, ao mesmo tempo em que representa a fé religiosa e a técnica humana, é também concreto e metáfora… É uma estátua que une uma cidade mesmo quando marca a sua profunda divisão. Paradoxal como a alma da cidade que ele representa e do país que ela resume.”

A primeira imagem…

10 de outubro de 2008

Esta imagem foi inspirada a partir de um visita que Renato e a equipe de produção fizeram ao morro de Dona Marta no bairro de Botafogo. Graças a gentileza do Presidente da Associação de Moradores, a equipe pode subir na laje do prédio da Associação e Renato conseguiu belas imagens além de sentar, observar o Cristo e realizar diversos croquis.

Calma Peréio, deixa a gente terminar o livro…

2 de outubro de 2008

Quando perguntam ao ator Paulo César Peréio o que ele pensa da estátua do Cristo Redentor, ele vai logo disparando:

A minha proposta é demolir aquilo. Eu não considero que aquilo lá exista. Não é obra de escultura, é obra de um engenheiro italiano. Inclusive nem tinha os braços abertos. Deu um trabalhão para abrir os braços. Essas porras do Brasil! E eu não falo só do Cristo Redentor. O mau gosto é homogêneo neste país. É um país bagaceira! O ministro Gilberto Gil [da Cultura] dá R$ 11 milhões para o Cirque du Soleil e não dá 300 paus pra gente fazer um espetáculo de teatro. Nas festas do Lula, na Granja do Torto, em Brasília, ele chama aqueles caras, sei lá, Zezé di Camargo e Luciano, essas m.! Quer dizer, é tudo bagaceira. Não é nada especial contra o Cristo. Inclusive eu nem acho que o Cristo seja pior que o Borba Gato. É só tudo uma bagaceira (Fonte: Folha de São Paulo - Coluna de Monica Bergamo).

Renato Alarcão não resistiu…

Peréio quer demolir a estátua do Cristo Redentor

Entrevista com Renato Alarcão

2 de setembro de 2008

Renato conversou conosco sobre suas motivações para realizar as ilustrações sobre a cidade e sua relação com o Cristo Redentor mas há muito mais nessa conversa…

1- Como surgiu a idéia do livro 36 Vistas do Cristo Redentor? Foi sua ou partiu da editora?

O Livro é uma idéia do Roberto Ribeiro, editor da Casa 21, sob inspiração de outros projetos semelhantes feitos pelo mundo afora. 36 Vistas do Cristo Redentor é um livro que já nasce com antecedentes históricos maravilhosos: no Japão, por exemplo, o Monte Fuji teve também as suas 36 vistas representadas graficamente pelo artista Katsushika Hokusai (aquele da célebre gravura A Onda) e na França tivemos Henri Rivière, que produziu  em 1897 uma série de litografias com vistas da Torre Eiffel a partir de diversos pontos de Paris. Aquele trabalho se tornou um dos mais ambiciosos projetos em gravura colorida que a Europa havia produzido até então.

2 - Já há alguma ilustração produzida que possamos usar para divulgação?
Estou finalizando a pesquisa de imagens e referências visuais, e tenho algumas artes em execução. No próximo post, encaminharei a primeira imagem, ainda que não seja definitiva, pois, faltarão as últimas pinceladas de aquarela.

3 - Você dá aulas? De quê e aonde?
Sim. Tenho um ateliê-escola no bairro do Jardim Botânico, o Estúdio Marimbondo, e frequentemente sou convidado a levar minhas oficinas e palestras a diversas cidades do Brasil (São Paulo, Porto Alegre, Sul de Minas, Brasília, Recife, Olinda, Fortaleza e Manaus). Os assuntos das oficinas são vários. Tenho um curso sobre criatividade chamado Diário Gráfico e outros sobre aquarela e ilustração editorial. Em setembro, por exemplo, estive novamente em Olinda e Recife para realizar dois cursos, o Desenho de Locação e o Desenho Dinâmico. Também realizo cursos com equipes criativas de empresas (editora Abril, o pessoal do departamento de arte das marcas de roupas Redley e Richard’s). Em agosto, por exemplo, tive nas minhas oficinas a presença de duas equipes de design do O Globo (que fazem o jornal impresso e o Globo online).

4 - Faz ilustrações com regularidade para algum veículo de imprensa? Sei que costuma fazer para a Folha de São Paulo, mas há algum outro?
Ilustro também para editoras americanas como a Penguin, a Candlewick, a Farrar, Straus and Giroux, e também para revistas. Publiquei algumas vezes no caderno de literatura do New York Times. Apenas uma vez criei uma ilustração de humor (Lava Jato) e ao inscrevê-la no Salão Carioca de Humor, faturei o primeiro prêmio na categoria Cartum.
Gosto muito de trabalhar em projetos especiais também, como por exemplo, o mural que fiz para o Museu dos Heróis do Povo Brasileiro localizado na Cruzada São Sebastião, no Rio de Janeiro. Foi incrível ver minha ilustração com sete andares de altura e sete metros de largura! Tenho também curtido muito a série de ilustrações que fiz para a atual campanha da Nextel. Veja imagens aqui e aqui.

6 - Tem alguma expectativa específica para esse trabalho?
Tenho as melhores expectativas. O tema é um dos melhores que já tive em mãos, e, como sempre, estou colocando 100% da minha energia neste projeto.

7 - Tem filhos? Eles desenham também?
Tenho um menino, o Vicente, que está com 3 anos. Ele desenha e pinta, como toda criança. De vez em quando deixo brincar de Photoshop na minha tablet. Ele está aqui.

8 - Mantém alguma relação com outros ilustradores? Que relação e com quais ilustradores?
Sim, claro, com a internet, hoje, ninguém é uma ilha. Tenho muitos amigos na profissão, como o Rui de Oliveira, Orlando, Cárcamo, o Alê Abreu, o Hiro, Kako, Bueno, Benício e muitos outros a quem peço desculpas por não ter citado aqui. Aliás, vale citar que foi através de listas na internet e finalmente através da criação da Sociedade dos Ilustradores do Brasil que todos estes laços de amizade se estabeleceram.

9 - É influenciado por algum pintor ou ilustrador? quais?
Esta lista está em constante mutação. Desde sempre gosto muito da Kathe Kollwitz, do Goya, do Bruegel, do Rauschenberg. No início da minha formação olhava muito os artistas da tradição realista americana (Andrew Wyeth, Edward Hopper), os caras que passaram pela Brandywine School, que foi a primeira escola de ilustração fundada nos EUA (em especial o N.C. Wyeth, pai do Andrew que citei antes), e também os vitorianos Arthur Rackham e Edmund Dulac.
Existem também artistas que não foram de fato uma influência, mas que hoje eu curto muito, como o Brad Holland, o Henrik Drescher, a Lizbeth Zwerger,  o Shaun Tan e no Brasil o Samuel Casal, o Orlando, o Kako e Bueno.

10 - Que trabalho seu considera mais importante e significativo? A série que fez para a revista de Domingo no início da carreira?
Este livro 36 Vistas do Cristo Redentor é, sem dúvida, o mais importante da minha carreira.

11 - O que considera essencial no trabalho de um ilustrador?
Saber contar uma história através das imagens que cria.

12 - Que técnicas mais gosta de utilizar?
Acrílica, aquarela e, nos meus trabalhos pessoais, a colagem.

Mais sombra do que luz

31 de julho de 2008

Alarcão enviou-nos, dia 30 de julho, um mail com as imagens de seu trabalho de graduação “Crianças Urbanas”. Esse trabalho foi, posteriormente, publicado pelo Jornal do Brasil na matéria que dá nome a este post. Quando vimos as ilustrações, sentimos vontade de compartilhar com vocês.

Matéria no JB sobre Alarcão - 1

Matéria no JB sobre Alarcão - 2

Matéria no JB sobre Alarcão - 4

Matéria no JB sobre Alarcão

Matéria no JB sobre Alarcão - 5Matéria no JB sobre Alarcão - 6

Dona Marta, São João Batista e Ladeira Tabajaras…

24 de julho de 2008

Desta vez, marcamos encontro com o Renato na chegada das Barcas de Niterói ao Rio de Janeiro. A mesma equipe estava recepcionando-o. Renato chegou as 08h00.

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Fomos diretamente para o Morro de Dona Marta onde o vice-presidente, o Sr. José Mário Hilario ou melhor, o Zé Mário, aguardava-nos. O encontro aconteceu na sede da Associação de Moradores. Ele levou-nos para a laje do prédio da Associação onde Renato acomodou-se para tirar fotos e fazer um novo croquis. Enquanto isso, eu fiquei aguardando, no boteco em frente, acompanhado de uma cerveja. Como eles estavam demorando e eu não queria continuar tomando cerveja tão cedo, decidi também subir na laje e lá encontrei toda a equipe conversando. Renato continuava desenhando… Enquanto isso, Zé Mário contava-nos muitas histórias do Morro e seus moradores.

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Dali fomos para o Cemitério São João Batista. Circular pelo cemitério descobrindo túmulos de famosos transformou-se em um agradável passeio. Na busca de pontos de vista sobre o Cristo, encontramos os túmulos de Santos Dumont, Carmen Miranda e José Lins do Rego. Túmulo de Santos DumontInfelizmente, não tivemos tempo para percorrer e encontrar os túmulos do maestro Tom Jobim, Cazuza, Clara Nunes e tantos outros que foram na frente.

Do cemitério São João Batista fomos para um dos pontos mais altos da Ladeira Tabajara na casa do Ivan Antonio Nascimento que recebeu-nos com muito carinho e atenção. Visitamos sua casa, conhecemos sua família, brincamos com seu cachorro e pudemos tirar fotos da janela de seu quarto onde percebe-se o Cristo Redentor. Nesse momento, as nuvens avolumavam-se em torno do Cristo. Não conseguíamos boas imagens e, no momento em que nos despedíamos de nosso amigo, as nuvens se abriram e a imagem do Cristo apareceu. Foi um momento mágico e belo. Foi como se ele quisesse dizer-nos que não poderíamos partir sem algumas fotos. Vejam que eu não exagero!!

Ladeira Tabajara

De Niterói au Catete…

23 de julho de 2008

Em meados de março, iniciamos o trabalho de pesquisa para o projeto “36 Vistas do Cristo Redentor”. Renato Alarcão e a pequena equipe que o acompanha nesta empreitada elaboraram uma lista de locais e situações que poderiam ser observadas e representariam belas vistas da cidade tendo o Cristo Redentor como elemento do cenário.

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Eu, Roberto, da Casa 21; Roberto, meu xará e nosso guia e, finalmente, Giovanni, na produção, saímos as 07h00 da manhã em direção a Niterói para juntar-nos a Renato Alarcão. Tínhamos marcado as 07h30 diante do edifício onde mora. Ah, já ia esquecendo de dizer que para não nos perdermos, Alarcão preparou e enviou-nos um pequeno mapa indicando em incríveis detalhes o percurso para chegar até a sua casa.

Nossa primeira intenção era visitar o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói. A grande obra de Niemeyer só abriria as 10h00. Aguardando, Alarcão posicionou-se ao lado de um quiosque na Avenida Litorânea (Avenida General Milton Tavares da Souza), em face do Rio de Janeiro, e produziu, em pouco tempo, seu primeiro croquis. Vejam o resultado!!

A partir de Niterói


No MAC, fizemos diversas fotos – na área externa e interna - e estudos de pontos de vista e perspectivas para obter o melhor ângulo que incluísse detalhes do MAC, do Cristo e da pequena e bela ilha da Boa Viagem em frente ao Museu. MACO Museu apresentava uma bela exposição das obras de Niemeyer pelo Brasil e mundo afora. Conseguimos imagens com alunos de escola escutando atentamente seu professor na área externa do Museu, reflexos do Cristo nos vidros e imagens tiradas na parte interna junto à exposição. Foram diversos ângulos a partir do MAC e não sabemos ainda qual deles será fonte de inspiração para o Renato. Veremos…

Direção Rio de Janeiro, Usina do Gasômetro. Operação difícil, pois, Renato queria tirar fotos de cima do viaduto que, naquelas horas, tem uma grande circulação de veículos. Tivemos dificuldades para parar o carro e deixar o Renato no alto do viaduto. Após concluir as fotos, ele teve que caminhar bastante para juntar-se ao grupo.

Próxima parada, Sambódromo. Graças a simpatia e compreensão dos responsáveis locais, conseguimos autorização para subir na Arquibancada 06, uma das arquibancadas com recuo ao lado da Apoteose. No alto dela, vimos o Cristo e fizemos diversas fotos.

Bem, como ninguém é de ferro e consideramos ter, até então, realizado um bom trabalho, fizemos uma pausa almoço no Petisco da Vila em Vila Isabel. O dia estava muito quente e com exceção do motorista, nos refrescamos com algumas cervejas bem geladas. Hum!!!

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Em seguida, fomos ao maior estádio de futebol do mundo. Já tínhamos conseguido autorização para a visita. Renato fez o percurso dos jogadores ao entrar em campo, passando pelos corredores e escutando o ruído das torcidas no momento que precede a chegada ao gramado. Os organizadores simulam essa entrada em campo para os turistas que visitam o estádio. Subimos nas arquibancadas e vimos o Cristo. MaracañaNegociamos uma nova visita. Da próxima vez, queremos subir na laje superior onde pode-se obter uma linda vista do gramado e do Cristo. Retornaremos… Ainda bem que não fomos no dia da final da Libertadores!!!

Em seguida, fomos visitar os monstros de ferro do Cais do Porto. São antigas e enormes gruas, muitas delas, hoje, abandonadas nos trilhos do cais. Acompanhados por um motorista, gentilmente cedido pela Companhia Docas do Rio de Janeiro, ficamos circulando até encontrarmos um local com uma bela vista sobre o Cristo. Alarcão, corajosamente, pois, acreditem, o ferro de muitos degraus no acesso ao alto da grua estavam apodrecidos e qualquer descuido poderia por fim aos nossos planos para o dia, iniciou a subida à cabine da grua. São quase 30 metros de altura. O nosso herói caminhava com muito medo (ele confessou-nos!!!), conquistando cada degrau. Tanto medo que esqueceu da cabine e passou direto continuando a subida. Lá do alto ele gritava dizendo que não havia nenhuma cabine. Nós víamos que a cabine estava abaixo dele. Alertado sobre seu engano, desceu vários degraus e entrou na casa do manobrista. Até o nosso guia ficou apreensivo.

Continuamos as visitas programadas para o primeiro dia visitando as pilastras do profeta Gentileza(*). Para quem não sabe, o profeta Gentileza, de seu verdadeiro nome José Datrino, era uma figura singular de cabelos longos, barbas brancas, vestindo uma bata alvíssima com apliques cheios de mensagens, que a partir dos inícios de 1970 até a sua morte em 1996 percorria toda a cidade para fazer a sua pregação. A partir de 1980 encheu as 56 pilastras do viaduto do Caju, perto da rodoviária, com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar de nossa civilização. Como todo profeta, sentiu também ele um chamamento divino que veio através de um acontecimento de grande densidade trágica: o incêndio do circo norte-americano em Niterói no dia 17 de dezembro de 1961 no qual foram calcinadas cerca de 400 pessoas.

O tempo estava mudando e o Cristo ficou encoberto por nuvens. Decidimos, então, visitar uma loja de flores no bairro do Catete onde tínhamos visto uma estátua do Cristo em grande formato no meio de outras estátuas de animais e flores. Fizemos diversas fotos. Recentemente, estive no mesmo local e a estátua do Cristo desapareceu. Não consegui saber se foi vendida ou transferida para outro local!!!

(*) Documentário de Dado Amaral / Vinícius Reis – 1994 - 9 min sobre o Profeta Gentileza:
http://www.portacurtas.com.br/pop4_160.asp?cod=4955&Exib=5407

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